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Dia Mundial de Luta contra a Aids

Um dia pra não se calar !
O Dia de prevenir a Aids é todos os dias que restam em nossas vidas
No dia 01 de dezembro comemoramos o Dia Mundial de Luta Contra a Aids.
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Um dia que relembra a todos a necessidade de convivermos num mundo igualitário,
ou melhor, num mundo onde todos possam ter acesso a uma boa qualidade de vida e o respeito aos seus direitos, sendo esse mais um dia para fortalecemos a esperança e a solidariedade.
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A cada 01 de dezembro redescobrimos que o combate à aids se dá em todos os outros dias do ano, ou que pelo menos, deveria se dar em todos os outros dias do ano.
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Prevenir a aids não é uma prática a parte de atitudes corriqueiras e constituintes do nosso eu; e não significa apenas usar a camisinha.
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Prevenir a aids é vivenciar a sexualidade, os desejos, os medos, os fracassos, as vitórias, a esperança, o amor, os relacionamentos e os vínculos afetivos.
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Fazemos isso todos os dias, em todos os momentos, por meio de nossas batalhas em postos de trabalho, na construção da educação de nossos filhos, nos relacionamentos com familiares e amigos, nas nossas opções religiosas e nos cuidados conosco mesmo.
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Enfim, em todos os dias de nossas vidas combatemos aquilo que nos pode prejudicar e construímos aquilo que consideramos bom.
E, na maioria das vezes, mal nos damos conta disso.
Precisamos, assim, de um dia especial para marcar nossa luta na construção de um mundo melhor, em que soropositivos e soronegativos ressignifiquem aquilo que todos carregamos: a coragem.
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E com esta coragem vamos trilhando a história da epidemia no Brasil.
O “estigma do AZT” evoluiu para os coquetéis e testes de possíveis vacinas; houve o aperfeiçoamento dos preservativos e o surgimento do preservativo feminino; as campanhas publicitárias baseadas no terror e nas fotos dos doentes terminais de aids deram lugar para o sorriso de portadores do HIV; a discriminação de crianças soropositivas nas escolas abriu caminho para a discussão da experiência de “adolescer” dessas mesmas crianças; os consultórios de psicólogos e psicanalistas também passaram a receber soropositivos até então freqüentadores de consultórios de infectologistas; a “metáfora da morte” abriu espaço para o sentido de vulnerabilidade social; a orientação sexual em aids na escola assumiu o espaço da representação de “grupo de risco”; enfim, pequenas, mas fundamentais mudanças teóricas e práticas que norteiam as orientações de enfrentamento à epidemia de HIV/Aids no país.
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Para tudo isso acontecer as organizações não-governamentais (ONGs) desempenharam um papel importante. Assim, as Organizações Não-Governamentais de Combate à Aids (ONGs/Aids) constituíram-se em importantes segmentos para a resolução e enfrentamento da epidemia e para a disseminação de informações sobre o HIV, por meio do apoio aos soropositivos e aos seus familiares, de criação de campanhas informativas e da pressão política ao Estado. Diante disso o Estado procurou elaborar políticas públicas para evitar a disseminação do vírus HIV por meio da estruturação do sistema de saúde, de realização de campanhas informativas, de assistência e prevenção, e com o estabelecimento de parcerias com o Ministério da Educação e com o setor privado.
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O melhor caminho adotado para a contenção da epidemia tem sido a educação e a conscientização da sociedade como um todo. Nas escolas, nas empresas, no teatro, nas ruas, nas ongs, nos postos de saúde, entre outros, tem-se procurado conscientizar para os riscos de contaminação, estabelecendo uma relação íntima entre informação e prevenção.
De fato, isso é muito louvável, uma vez que ao sabermos melhor sobre a aids estaremos cônscios de nossas possibilidades.
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Porém, alguns estudos têm mostrado que a quantidade de informação sobre a epidemia não tem impedido que cidadãos e cidadãs evitem sua contaminação.
Ou melhor, informação não é igual a prevenção, acesso a camisinha não é igual a prevenção, consciência não é igual a prevenção.
Isso nos coloca diante de mais um novo enigma do vírus HIV, já que a sua mutação, o seu surgimento, a sua construção social e econômica constituem-se em sérios obstáculos para sua eliminação.
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Por que com tantas informações ainda ocorre a contaminação pelo vírus HIV?
Eis aí o paradoxo no qual se encontram as ciências sociais e biológicas hoje. Para nós, serve o alerta.
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Independente de sermos homens, mulheres, crianças, adolescentes, adultos, idosos, homossexuais, bissexuais, heterossexuais, casados, solteiros, ricos, pobres, negros, brancos, índios, cristãos, não-cristãos, informados, não informados somos participantes de uma história epidêmica.
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Consciente ou inconscientemente vivenciamos uma sexualidade marcada pelos desejos e repressões, pela nossa história pessoal e social. Daí a necessidade de repensarmos nossas ações diante da possibilidade de contaminação pelo vírus HIV.
Se por um lado a aids construiu uma série de limitações em termos sociais, econômicos e psicológicos para as vítimas, seus familiares e amigos, assim como também para os soronegativos, por outro ela nos deixou a possibilidade de ressignificarmos sentimentos, pensamentos e atos referentes ao nosso ‘eu’ e aos nossos vínculos pessoais e sociais, ressignificando o sentido da vida.
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O melhor caminho para lidarmos com as nossas angústias e medos sobre a vida e a morte e a vivência de nossa sexualidade é o conhecimento, entendimento e enfrentamento dos mesmos.
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A aids, tão singular e tão coletiva, surgiu num momento histórico único: o da liberação sexual; cresceu e fortificou-se nos valores culturais e no preconceito; vive da exploração capitalista; frutificou pessoas que desejam sua morte na prevenção e, talvez, morra com a “experiência de saber de si” de cada membro da sociedade.
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O dia de prevenir a aids é todos os dias que restam em nossas vidas.
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Boa prevenção.
Texto de Patrícia da Silva Pereira

Comentários

janelasdavida disse…
O primeiro mal que o HIV traz é exterior a ele, e talvez mais danoso: o preconceito das pessoas!
Christi Xavier disse…
Concordo Plenamente Arthur
João da Silva disse…
Belíssima manifestação, que merece todo o nosso apoio.
Beijos do coração, linda, com aroma de rosas
concordo com tudo ,o bom seria se toda sociedade deixasse de pensar que HIV jamais vai acontecer comigo.
Tenho amigas que trabalham na noite do rio De janeiro e é assustador a quantidade de homens
que querem transar sem preservativo
a grande maioria são homens casados
é lamentável mais é a nossa realidade!
Mari disse…
seu blog está lindo!
amei!

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